Mostrar mensagens com a etiqueta ReEvolução. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta ReEvolução. Mostrar todas as mensagens

quinta-feira, 24 de julho de 2014

O DUPLO SENTIDO DO PROGRESSO



Não estamos perante um estranho paradoxo? Tomando os termos no sentido que lhes atribuímos, vimos que todo o progresso cultural é função de uma coligação entre as culturas. Esta coligação consiste no pôr em comum (consciente ou inconsciente, voluntário ou involuntário, intencional ou acidental, procurado ou obrigado) das possibilidades que cada cultura encontra no seu desenvolvimento histórico; finalmente admitimos que esta coligação era tanto mais fecunda quanto se estabelecia entre culturas mais diversificadas. Posto isto, parece que nos encontramos face a condições contraditórias. Porque este jogo em comum de que resulta todo o progresso, deve arrastar como consequência, num prazo mais ou menos breve, uma homogeneização dos recursos de cada jogador. E se a diversidade é uma condição inicial, devemos reconhecer que as possibilidades de ganhar se tornam mais fracas quanto mais se prolongar a partida.
(...)
É a diversidade que deve ser salva, não o conteúdo histórico que cada época lhe deu e que nenhuma poderia perpetuar para além de si mesma. É necessário, pois, encorajar as potencialidades secretas, despertar todas as vocações para a vida em comum que a história tem de reserva; é necessário também estar pronto para encarar sem surpresa, sem repugnância e sem revolta o que estas novas formas sociais de expressão poderão oferecer de desusado. A tolerância não é uma posição contemplativa dispensando indulgências ao que foi e ao que é. É uma atitude dinâmica, que consiste em prever, em compreender e em promover o que quer ser. A diversidade das culturas humanas está atrás de nós, à nossa volta e à nossa frente. A única exigência que podemos fazer valer a seu respeito (exigência que cria para cada indivíduo deveres correspondentes) é que ela se realize sob formas em que cada um seja uma contribuição para a melhor generosidade das outras.


Claude Lévi-Strauss, in Raça e História, 1952




quinta-feira, 10 de julho de 2014

STOP THE BULLYING, EVOLVE THE LIVING






Este projeto foi realizado no âmbito do Clube de Teatro, dinamizado durante o ano letivo 2013-2014,
 em escrita cooperativa com o 6º G e em parceria com a professora Alexandra Antunes 
(Curso Vocacional: Componente de Formação Multimédia), a quem estou imensamente grata pela edição. 

As cenas, por motivos que nos ultrapassaram, foram gravadas por mim e pela Alexandra,

com três câmaras diferentes, em vários dias, algumas das quais após o início das férias dos alunos, de forma inusitada e com personagens surgidas no momento, que não constavam no elenco inicial da peça de teatro, 
(apresentada uma única vez no auditório da escola.)

Só ontem foi possível ultimar o projeto, que mais parece um milagre da Alma Portuguesa...


Diria que é necessário termos Fé, sobretudo nas nossas crianças e adolescentes. 

Este projeto é por eles: para que brilhem e para que o seu sofrimento se dissolva numa direção reEvolucionária. 

Grata!







terça-feira, 15 de abril de 2014

GRAILS' FUSION





Abracadabrahocus pocus, tontus talontus, vade celerita jubes, expelliarmus
(I’m not laughing)
she walks in a blade while he cries the tears of the world
; yet, mirthful future memories echoe
from boxes inside walls with keys inside locks without doors
in a lovely caravan which is a caravel.

Reprogramações sílico~fotónicas, cavada e brandamente, sem apego,
retomam as pastas de Mahatma Gandhi, Martin Luther Kink Jr. e Teresa de Ávila
: e pluribus unum.

Both, woman and man, evolve evolution
bringing Christ and Budha down
into their powerful hearts.



gypZy suza(m)na guimaraens hezequiel



terça-feira, 24 de dezembro de 2013

"DUPLA CONSCIÊNCIA"


"Para terminar, queria insistir na ideia de que é necessário evitar fecharmo-nos num pensamento binário, isto é, um pensamento obnubilado por um único pólo de atenção em detrimento de outros. Se insistirmos demasiado só em Auschwitz, corremos o risco de minimizar insidiosamente o goulag e de silenciar outras barbáries. Se nos limitarmos unicamente ao factor quantitativo, o número de mortes provocadas pelo sistema concentracionário soviético foi muito maior. O goulag durou muito mais tempo do que o período de extermínio nazi que começa em 1942 e termina no início de 1945. Aliás, este período acabou numa hecatombe de sobreviventes reunidos tragicamente em poucos dias. O tifo e as longas caminhadas esgotantes, sob condução das SS, para fugir ao avanço dos Aliados foram horrivelmente mortais. Quando os Aliados chegam às portas de Dachau, deparam-se com amontoados de cadáveres. Ficou então a impressão de que o horror nazi se limitou a este efeito de empilhamento de corpos. Na realidade, isto tinha a ver com o facto da máquina de extermínio e eliminação ter parado. Os fornos já não funcionavam, os cadáveres empilhavam-se. Porém, o horror nazi tem menos a ver com o empilhamento de cadáveres do que com o funcionamento desta máquina de morte aperfeiçoada. Não é necessário que uma imagem, por mais horrível e gritante que seja, nos esconda a realidade. É um pouco o que se passa. O genocídio judeu é-nos apresentado como sendo mais horrível do que o extermínio massivo que foi o goulag, do qual não tivemos imagens e que durante muito tempo foi ocultado. Tudo isto para dizer que a tendência para negar o goulag em proveito de Auschwitz ou, obviamente, o contrário, não tem efectivamente sentido. Assim, desconfiemos da barbárie mental que, para minimizar consciente ou inconscientemente os crimes do estalinismo, faz do hitlerismo o horror supremo e absoluto.
É a uma nova reivindicação humanista que devem conduzir as trágicas experiências do século XX: que a barbárie seja reconhecida pelo que é, sem simplificações ou falsificações de qualquer espécie. O importante não é o arrependimento mas sim o reconhecimento. Este reconhecimento tem de passar pelo conhecimento e pela consciência. É necessário saber o que realmente se passou, ter consciência da complexidade desta colossal tragédia. Este reconhecimento deve respeitar todas as vítimas: Judeus, Negros, Ciganos, homossexuais, Arménios, colonizados da Argélia ou de Madagáscar. Este reconhecimento é necessário se pretendermos ultrapassar a barbárie europeia.
É necessário ser capaz de pensar a barbárie europeia para ultrapassá-la, pois o pior é sempre possível. No âmago do deserto ameaçador da barbárie, estamos, de momento, sob a relativa protecção de um oásis. Mas também sabemos que nos encontramos em condições histórico-político-sociais que tornam o pior exequível, particularmente em períodos paroxísticos.
Por detrás das próprias estratégias que deveriam contrariá-la, a barbárie ameaça-nos. O melhor exemplo é Hiroxima. A a ideia que conduz a esta nova barbárie é a aparente lógica que coloca na balança os duzentos mil mortos devidos à bomba e os dois milhões, entre os quais quinhentos mil GI, que teriam sido o preço do prolongamento da guerra por meios clássicos – se calcularmos os resultados a partir de uma extrapolação das baixas sofridas só pela tomada de Okinawa. Antes de mais, é necessário dizer que estes números foram propositadamente aumentados e, sobretudo, que não é preciso ter medo de colocar em evidência um factor decisivo que muito pesou na decisão de recorrer à  bomba atómica. Na consciência do presidente Truman e de muitos americanos, os Japoneses não passavam de ratos, sub-nomes, seres inferiores. Por outro lado, temos presente um facto de guerra com um ingrediente de barbárie suplementar: os extraordinários progressos da ciência colocados ao serviço de um projeto de eliminação tecnocientífica de uma parte da humanidade.
Repito-o, o pior é sempre possível.

Por conseguinte, no que diz respeito à Europa, devemos evitar a todo o custo a boa consciência, dado esta ser sempre uma falsa consciência. O trabalho de memória deve deixar refluir para nós a obsessão das barbáries: servidões, tráfico de Negros, colonizações, racismos, totalitarismos nazi e soviético. Esta obsessão, integrando-se na ideia de Europa, faz com que integremos a barbárie na consciência europeia. Esta é uma condição indispensável se queremos superar novos perigos de barbárie. Mas como a má consciência também é uma falsa consciência, o que nos faz falta é uma dupla consciência. Na consciência da barbárie deve integrar-se a consciência que a Europa produz, pelo Humanismo, pelo universalismo e pela ascensão progressiva de uma consciência planetária, os antídotos para a sua própria barbárie. Esta é outra condição para superar os riscos, sempre presentes, de novas e piores barbáries.
Nada é irreversível e as condições democráticas humanistas devem regenerar-se permanentemente para não degenerarem. A democracia tem necessariamente de se recriar em permanência. Pensar a barbárie é contribuir para a regeneração do humanismo. Logo, é resistir-lhe."


de Edgar Morin, in "Cultura e Barbárie Europeias", 2005



quarta-feira, 18 de setembro de 2013

QUINTA DO LUZIO




She's happy!



Fica em Janas, Sintra, e é uma quinta muito especial.
A permacultura e o espírito de comunidade permeiam o espaço.
É uma alternativa inspiradora neste momento que o país e o planeta atravessam.
Venha daí!...



À entrada, víamos na decoração da casa uma lua, uma cruz num monte e, lá atrás, uma estrela de cinco pontas. O espaço
não tem quaisquer filiações religiosas e atualmente ninguém sabe ao certo qual o objetivo dos originais proprietários
 ao escolher estes motivos decorativos...


"Agricultura Biológica, Sustentabilidade, Yoga, Permacultura"...
A oficina...

Uma das hortas...


Outra horta...
Um residente da estufa... Ou voluntário camuflado?
A égua...
Construção de uma "casa de banho seca"...

A zona de banhos (futuros)...




Na zona do pequeno bosque...











À entrada do interior da casa...





A palavra~chave!













Erva medicinais e temperos... Hummm, aromática cozinha!



Gratidão à Quinta do Luzio por tão generosamente nos terem aberto as portas 
; em particular ao Juan pela visita guiada e ao Afonso por todas as informações prestadas.

Gostava tanto de ter ido ao workshop de Chi Kung e Feng Shui...
Espero que numa próxima, muito em breve!

Quando eu for grande, Mãe, quero ter uma quintinha de permacultura, arte, espiritualidade e ciência!


:o)