Neste plateau, onde coexistem desequilibradamente a abundância e a escassez, desce dos éteres um chamamento profundo para
relembrar, sob um outro olhar, a nossa História individual e
coletiva e, concomitantemente, procurar alternativas que nos calibrem harmoniosamente com a atual pulsão da matriz galáctica
: a Expansão do Universo.
O contexto requer a urgente adoção de comportamentos criativos que preencham
o vazio de certos apartamentos (como os de Daya Bay, na China ou noutros países) e dando uso a certos objetos estagnados e acumulados, re-estruturando, desta forma, um equilíbrio em
espiral, em conivência com a Harmonia Invisível.
Concretizando
: criarmos uma realidade onde deixa de haver, por um lado, apartamentos vazios em cidades-fantasma e, por outro (no extremo do absurdo) seres-humanos a viver em condições sub-humanas.
Construir e criar, SIM, para fruir.
Construir e criar NÃO para ficar numa garagem, num armário, numa caixa; algures, paralisado, não importa.
Requer um movimento de okupação; porém, não de usurpação. Tão somente porque, neste processo há a dádiva de quem tem esse espaço em excesso e o perdão da dívida para quem (não) tem quase-nada. E, da parte de quem aceita, há gratidão e respeito. Na verdade, todos dão e todos recebem.
Uma realidade onde, por exemplo, o litoral sobre-povoado se desloca, paulatinamente, para o interior (praticamente desertificado) resgatando, assim, o "bom dia", o "boa tarde" e o "boa noite", reconectando-nos à terra-elemento, sem termos de negligenciar a tecnologia e os demais elementos.
Esta religação pode ocorrer num quintal abandonado de uma cidade (com um pulsar diferente da aldeia, é certo); a okupação criativa pode aconteSER onde a alma de cada um preencher o vazio de cada um...
Cidades, vilas e aldeias ascensas em refluxo harmónico. Aqui não não há fome, não há sede, não há frio, não há depressão; tão somente porque os gestos são movidos pelo Espírito e não pelo dinheiro ou pela troca imediata sem necessidade imediata.
Um apelo exigente a incorporar o "não" e o "sim":
os elementais e a ciência; o poder da mente e o poder da espiritualidade.
Um desafio para dançarmos no espaço e no tempo; um gesto nunca visto, uma coreografia emanada do Coração para todas as células do corpo e além corpo.
Todos se servem mutuamente, atentos às necessidades do outro, que, afinal, não é outro. Todos vivem tão interligados e tão livres de si mesmos, que se servem apenas a si próprios.
Um "talvez" indeciso é insuficiente nesta dança reverencial. Trata-se, antes, de um abraço incondicional.
Exigente, sim... Compassado, todavia, alegre.
É um convite que começa Agora, com a integração da nossa própria totalidade.
Neste processo, é relevante (re)lembrar que os conceitos de indivíduo, povo e nação, ou do "eu, tu, ela, nós, vós, eles" são, simultaneamente, probabilísticos e intencionais; construtos mentais e realidades tangíveis.
Seremos, de facto, o que nos ensinaram que somos? As fronteiras que formataram os nossos corpos e comportamentos desde a nascença serão tão condicionantes como as cremos? Poderemos transpô-las como uma imprevisível partícula sub-atómica?
Existiremos apenas nesta dimensão? Se não, como incorporarmos, então, essa multidimensionalidade ou interdimensionalidade? Poderemos tornar-nos conscientes nesses processos?
Qual o potencial do espírito no universo das leis da física? Existe o espírito na versão que nos transmitiram ou haverá a possibilidade de uma maior acuidade para descrever o (in)visível-manifesto e (ainda) inexplicável e incomprovável para a generalidade da comunidade científica?
Nesta aparente incerteza, tudo parece, "seguramente", ter conspirado para que convergíssemos no ser vivo que agora percecionamos. E tudo poderia ter sido minado antes, até, da existência dos nossos progenitores. As possibilidades são inúmeras. Este sermos-vivos e termo-nos cruzado é, portanto, o privilégio.
E se, pela sucessão de eventos, foi
até aqui que chegámos; ou seja, a esta configuração físico-emocional-mental-psíquica-..., inserida numa determinada conjuntura geográfica-social-tecnológica interdependente é, justamente, a partir deste espaço e momento que emerge perante nós o omnipotencial de construirmos juntos as nossas opções percetivas e existenciais.
Este omnipotencial acarreta, necessariamente, coragem e criatividade; não a mera repetição ou cópia de padrões absoletos.
Implica a diluição total do medo e da preguiça na auto e na mútua confiança e na or.ação conjunta
: Omnihumanos – eis a proposta.
Edificarmos (latus sensus) matéria-lume, habitada pela Consciência
; erguer edifícios, objetos, armários, corpos vivos
com a essência-in-spiritu-et-veritate-dentro é a nossa natureza primordial, o nosso software de raiz, em missão de Amor.
Requer, apenas, um click na memória. Depois é... Difícil, verdade!
Mas, Kitsch é não clicar; kitsch é ficar no mesmo estilo vazio – vazio que talvez seja no sentido do de Hesíodo, do inferno Kaos para o Kosmos; tanto menos no Vazio de Buda ou no Vazio quântico.
Kitsch, paradoxalmente, pode ser, também, quando as "costuras rebentam"
: Kiiitssssch...!