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quinta-feira, 29 de novembro de 2012

quarta-feira, 28 de novembro de 2012

APAGADOS E MELANCÓLICOS?




GERAÇÕES DE GENTE APAGADA E MELANCÓLICA

E outra impressão de não menor valor colhermos ainda: a de que esses homens (do Renascimento), quando os podemos surpreender um pouco mais na intimidade, quando interrogamos não os documentos de museu, mas os diários íntimos, as cartas, as notas de trabalho, não eram muito diferentes de nós, como não eram diferentes daqueles que os rodeavam. Firma-se a pouco e pouco a convicção de que não é excepcional o homem capaz, ao mesmo tempo, de escrever, pintar, saber, agir; poderíamos nós também fazer o mesmo: e, se, por acaso modestos, nos calamos, não nos é difícil apontar companheiros nossos de habilidades várias e, se cultivadas, sérias. Só que acrescentamos logo tê-los a vida desviado de sua plural vocação: por ser médico deixou de ser escultor, para ser músico deixou de ser soldado. E o fizeram mais por medo da vida e das agruras de ser socialmente incerto do que por verdadeiro querer. No fim de contas, cortaram um dedo para não ir para a guerra. Os homens do Renascimento preferiram que viesse a guerra e os cortasse todos; por outras palavras, tiveram a coragem de se não recusar ao milagre de si próprios. E nós, porque medrosos, não só vagamos mutilados e tristes, como ainda, cautelosamente, por meio de um ensino mais ou menos obrigatório e mais ou menos gratuito, preparamos novas gerações de gente apagada e melancólica.

As Aproximações



SER DIFERENTE

A única salvação do que é diferente é ser diferente até o fim, com todo o valor, todo o vigor e toda a rija impassibilidade; tomar atitudes que ninguém toma e usar os meios que ninguém usa; não ceder a pressões, nem aos afagos, nem às ternuras, nem aos rancores; ser ele; não quebrar as leis eternas, as não-escritas, ante a lei passageira ou os caprichos do momento; no fim de todas as batalhas – batalhas para os outros, não para ele, que as percebe – há-de provocar o respeito e dominar as lembranças; teve coragem de ser cão entre ovelhas; nunca baliu; e elas um dia hão-de reconhecer que foi o mais forte e as soube em qualquer tempo defender dos ataques dos lobos.

Diário de Alcestes


Agostinho da Silva



terça-feira, 13 de novembro de 2012

DESFAZER O CORPO DE DOR COLETIVO FEMININO


Fotografia de MF | Sintra | Edição de Suzamna Guimaraens



"Porque é que o corpo de dor é um obstáculo maior para as mulheres?



Geralmente, o corpo de dor tem um aspecto colectivo para além do individual. O aspecto individual consiste no resíduo acumulado de dor emocional sofrida no passado da própria pessoa. O aspecto colectivo consiste na dor acumulada na psique colectiva humana ao longo de milhares de anos de doença, tortura, guerra, assassínio, crueldade, loucura, e outras coisas semelhantes. 


O corpo de dor de cada um de nós partilha igualmente do corpo de dor colectivo. Há diferentes elementos no corpo de dor colectivo. Por exemplo, os países e raças que sofrem formas extremas de violência possuem um corpo de dor mais pesado do que os outros. Qualquer pessoa com um corpo de dor forte, mas sem consciência suficiente para deixar de se identificar com ele, ver-se-á forçada não só a reviver a dor emocional contínua ou periodicamente, mas também a tornar-se um agressor ou uma vítima da violência, dependendo do seu corpo de dor ter uma tendência activa ou passiva. Por outro lado, poderá também estar mais próxima da iluminação. Este potencial não será necessariamente realizado, é claro, mas quem estiver a ter um pesadelo tem mais hipóteses de querer despertar do que alguém que esteja a ter um sonho comum.


Além do seu corpo de dor pessoal, cada mulher tem a sua quota-parte naquilo a que poderíamos chamar o corpo de dor colectivo feminino – a não ser que ela seja plenamente consciente. Este corpo consiste na acumulação da dor sofrida pelas mulheres, devido em parte à subjugação masculina, à escravidão, à exploração, a violações, à dor do parto e à morte de filhos ao longo de milhares de anos. 


A dor emocional ou física que, para muitas mulheres, precede e acompanha o período menstrual é uma manifestação do corpo de dor colectivo a despertar do seu estado de latência nessa altura, embora isso também possa acontecer em outras ocasiões. O corpo de dor restringe a livre circulação da energia da vida através do corpo, de que a menstruação é uma expressão física. Consideremos com mais atenção este aspecto e vejamos como ele se pode tornar uma oportunidade de iluminação.


Por vezes, o corpo de dor "toma conta" da mulher nessa ocasião. Ele possui uma carga extremamente poderosa que a poderá induzir facilmente a identificar-se inconscientemente com ele. Ela fica então activamente possuída por um campo de energia que ocupa o seu espaço interior e finge ser ela – mas que, é claro, não o é. Fala através dela, age através dela, pensa através dela. Criará situações negativas na sua vida para se alimentar da energia. Quer mais dor, seja de que forma for. Já descrevi o processo. Ele pode ser perverso e destrutivo. É dor pura, dor passada – e não é quem você é.


O número de mulheres que se aproxima agora do estado de consciência plena já excede o dos homens e crescerá ainda mais rapidamente nos próximos anos. No final, os homens poderão chegar ao nível delas, mas durante um período de tempo considerável haverá um hiato entre a consciência dos homens e a das mulheres. As mulheres estão a recuperar a função que lhes cabe por direito, daí que lhes seja mais fácil do que aos homens ser uma ponte entre o mundo manifesto e o Não-Manifesto, entre o físico e o espírito. A principal tarefa agora, como mulher, é tratar de transmutar o corpo de dor para que ele não se interponha entre ela e o seu verdadeiro eu, a essência de quem ela é. É evidente que também terá de lidar com o outro obstáculo à iluminação, que é a mente que pensa, mas a intensa presença que a mulher cria ao lidar com o corpo de dor também a libertará da identificação com a mente.

A primeira coisa a lembrar é a seguinte: enquanto a sua identidade se basear no corpo de dor, a mulher não se conseguirá ver livre dele. Enquanto uma parte da sua sensação de identidade estiver investida na sua dor emocional, ela resistirá inconscientemente ou sabotará qualquer tentativa que faça para sarar essa dor. Porquê? Muito simplesmente porque se quer manter intacta, e a dor tornou-se uma parte essencial de si. É um processo inconsciente, e a única maneira de o ultrapassar é torná-lo consciente.

Ver de repente que se está ou esteve apegada à sua dor poderá ser uma descoberta bastante chocante. No momento em que o compreender, romperá com o apego. O corpo de dor é um campo de energia, quase uma entidade, que temporariamente se alojou no seu espaço interior. É energia de vida que ficou presa, energia que deixou de fluir. É evidente que o corpo de dor existe por causa de determinadas coisas que lhe aconteceram no passado. É o passado a viver em si e, se se identificar com ele, identifica-se com o passado. 

A identidade de uma vítima consiste na convicção de que o passado é mais poderoso que o presente, o que é o oposto da verdade. É a convicção de que as outras pessoas e o que elas lhe fizeram são responsáveis por quem se é agora, pela sua dor emocional ou pela sua incapacidade em ser o seu verdadeiro eu. A verdade é que o único poder que existe está contido dentro deste momento: é o poder da sua presença. Uma vez que a mulher compreenda isto, também compreenderá que agora é responsável pelo seu espaço interior — e mais ninguém — e que o passado não poderá prevalecer contra o poder do Agora."

in "O Poder do Agora" de Eckhart Tolle, pp 174-176, Pergaminho, 2011.



RETORNO DA MULHER SELVAGEM



Uma mensagem de Maria Madalena canalizada por Pamela Kribbe em dezembro de 2011 na África do Sul. Esta mensagem também está disponível em arquivo de áudio [no original, em inglês, no site www.jeshua.net]. A transcrição foi ligeiramente editada para facilitar o entendimento do texto escrito. 

cortesia de Terras de Lys


Repare: Três comunicam como UM...


"Queridos amigos,
Nós três estamos presentes aqui hoje: Jeshua, Maria e Maria Madalena. Sentimos-nos honrados de estar aqui com vocês. Nós os vemos como nossos irmãos e irmãs. No nível do coração, somos um só. Para mim, Jeshua, é especialmente libertador estar aqui ao lado das minhas amigas, porque geralmente sou visto como o único representante da energia Crística. Entretanto esta não é toda a verdade. Houve mulheres ao meu lado, na minha vida, que foram essenciais para a minha missão. Naqueles tempos, não era aceitável que mulheres fizessem o que eu fazia – ensinar em público. Mas tanto minha mãe quanto Maria Madalena eram guerreiras espirituais. Elas me ajudaram a plantar as sementes da consciência Crística.

Hoje falaremos sobre as energias masculina e feminina. Eu e minhas companheiras de alma falamos em uma só voz. Na sua História, a energia feminina foi profundamente ferida. Isto teve consequências importantes para as mulheres e para os homens na Terra. Não foram apenas as mulheres que sofreram com o domínio masculino; os homens também foram feridos.

Discutiremos primeiro o ferimento do feminino. Pedimos a cada um de vocês que imagine uma pessoa do sexo feminino. Ela representa toda a energia feminina. Essa energia foi degradada e tratada com violência. O efeito que isto teve na mulher foi que ela se afastou da parte inferior do seu corpo, onde seu poder residia. Principalmente quando há violência sexual, o trauma emocional leva a mulher a retirar sua consciência da parte inferior do seu corpo.

Visualize uma mulher diante do seu olho interno. Ela representa a energia coletiva das mulheres. Nessa imagem, você pode ver que existe uma espécie de buraco na região da sua barriga. Ela afastou sua consciência dessa área e sente-se insegura porque lhe falta a base, a fundação. Dentro da barriga dela, você pode ouvir gritos de angústia e dor. E gostaríamos de pedir a cada um de vocês – tanto homem quanto mulher – que irradie luz para essa mulher, para a região de sua barriga. Desta maneira, você também está oferecendo-a a si mesmo.

Agora Maria Madalena quer falar.
Eu sou Maria Madalena. Amo-os profundamente. Sempre estou com vocês. Eu me elevei acima do ferimento do feminino e agora desejo tocar essa área de dor muito delicadamente, para ajudar as mulheres a se curarem. Gostaria de vê-las nascendo de novo com alegria e firmeza, para que o poder do feminino possa retornar de um modo pacífico. Não desejo brigar nem lutar. Venho em paz e tenho um apelo especial às mulheres. Todas vocês foram feridas na História, mas neste momento estão recuperando sua força. Esta é a sua Era, este é o seu momento. Quero relembrar-lhes que os homens também precisam de ajuda agora. Vocês, como mulheres, estão familiarizadas com o ferimento em suas barrigas, com a dor e o trauma de serem degredadas. Mas o que aconteceu com os homens?

Devido às energias masculinas dominantes no passado e as energias de poder e opressão, os homens foram forçados a fechar seus corações. Eles tinham que ser fortes e duros, pois esta era imagem ideal de um homem. Mas, desta maneira, os homens ficaram alienados de sua parte sentimental. Muitos homens ficaram presos em suas cabeças, tendo dificuldade de expressar suas emoções e sentimentos. A falta de habilidade para se conectar com o lado sentimental, o lado feminino, também é um ferimento. Você não vive plenamente se não tiver acesso aos próprios sentimentos. De fato, você se desconecta da sua alma. Em muitos homens há uma sensação de solidão e alienação que é percebida como um buraco em seus corações.

Então, veja: tanto os homens quanto as mulheres foram feridos no passado. O ferimento da mulher está localizado na região da barriga; o do homem é como um buraco em seu coração. Desejo dizer a cada uma das mulheres que, ao recuperar seu poder, ao reconhecer sua verdadeira força, estenda as mãos para os homens; eles precisam de sua ajuda. Eles se tornaram alienados, estranhos ao lar. Tenha a bondade no seu coração de ser compassiva com eles. A Nova Terra só pode nascer se vocês fizerem as pazes. Se o homem e a mulher entenderem o ferimento um do outro, eles poderão construir uma ponte entre ambos.

Peço a cada mulher que se junte a mim, enviando luz para o buraco em sua barriga. Visualize uma corda se desenvolvendo a partir dessa luz e entrando na Terra. Sinta sua conexão com a mãe Terra como com uma mulher. Sua energia feminina é tão poderosa e essencial para a vida! Lembre-se da sua verdadeira força. Ao sentir sua autoconsciência aumentar, volte-se para os homens e envie luz para o buraco em seus corações.

Vocês estão no limiar de um novo tempo na História. Vocês foram feitos para se unir como homens e mulheres. Vocês estão convidados a terem alegria e a rirem outra vez como seres humanos. Em muitos de vocês eu vejo guerreiros cansados; vocês lutaram demais e alguns estão muito cansados e decepcionados. A resposta à dor de vocês está numa vida muito simples. Com isto quero dizer: sentir-se verdadeiramente conectado à Terra novamente e aproveitar os prazeres simples de ser humano. Vivenciar o amor entre homem e mulher, ter amizade com pessoas de interesses em comum e viver em paz com o meio-ambiente e a natureza são as promessas da Nova Terra.

Na minha vida na Terra, vivenciei profundamente o ferimento do feminino. Eu era uma amiga querida de Jeshua. Podia sentir sua força e sabedoria, mas também suas dores e dúvidas. Havia um entendimento íntimo entre nós dois. Senti profundo pesar e tristeza quando ele teve que deixar a Terra, quando ele foi morto. Muitas vezes, quando ele falava connosco, eu podia sentir suas mensagens não só na minha cabeça, mas por todo o meu corpo. Eu não gostava de discutir sobre suas ideias, sobre suas mensagens, como seus discípulos homens faziam. Nesse sentido, eu era um pouco diferente deles. Às vezes eles zombavam de mim e eu me sentia só. Eu era vista como uma “mulher selvagem”, eu não era nada convencional. Hoje em dia, estou muito contente de ver que mulheres selvagens são bem-vindas de novo no mundo!

Muitas coisas mudaram desde os tempos de Jeshua. Eu lhes digo: as mulheres selvagens serão as líderes do novo mundo! Convido cada uma de vocês a assumir seu verdadeiro poder. No passado, quando uma mulher era considerada “selvagem”, isto é, independente, não convencional e apaixonada, ela geralmente era rotulada de histérica. Na Idade Média, ela era chamada de bruxa. Mas na verdade, essas mulheres – eu fui uma delas – eram movidas pelo amor. Agora está na hora da mulher mostrar novamente seu verdadeiro poder, não de um modo agressivo, mas de uma forma que reconcilie as energias masculina e feminina.

Muito obrigada a todos por estarem aqui comigo hoje!"

© Pamela Kribbe 2012

Tradução de Vera Corrêa
veracorrea46@ig.com.br


terça-feira, 6 de novembro de 2012

A WOMAN SMILING




Numa recente incursão à praia, mesmo à entrada do areal (ainda no passadiço) dei de caras com esta instalação naïf.
Para quê este texto assim posicionado, que quase passa despercebido?
Esta "mulher" parece dar-nos as boas-vindas, relembrando a importância de um simples sorriso. Mas será apenas isso?
Curiosamente, à sua volta não se notam pegadas; talvez tenham sido removidas pela chuva...


quinta-feira, 1 de novembro de 2012

#1 LIMPEZA












A Lua estava de feição, embora do outro lado da Terra; ainda assim, emanando. 
A praia tranquila, sem nortada, sem gente. Só algumas gaivotas...
Aproveitei a maré para deixar os cristais imersos numa tigela natural de granito.
Sol, Lua, Água, Pedra e a Chama que não queima.













sábado, 13 de outubro de 2012

O EMARANHADO DE FITEIRA




made in Portugal by Joana Moreira Guimarães




A Joana é uma portuguesa de 7 anos.
A fiteira,
é uma planta endémica da Nova Zelândia.

Eu sou uma portuguesa de 39
e gosto muito de kiwis no ponto.

Também há fiteiras em Portugal.

Os textos de fiteira seca
da Joana
são espontâneos e 100% ecológicos.

Quando os cria,
ela pensa e age com o coração

; logo,
não plagia,
não vai a concurso,
não faz para ser paga,
não faz para ter



. Faz
"p o r q u e  S i m".

Ainda assim,
aqui estou eu
a espelhar-lhe o quanto os aprecio,
para que ela cresça
mais transparente
e eu com ela.

A Joana produz os emaranhados
na natureza,
não em casa
; facto que translada,
não só, 
mas também,
para a metáfora eco-social.


 ] Ela inspira as flores vivas
e ressuscita as plantas mortas [


O seu ser é as suas mãos e a fiteira

; não há qualquer (diz)tinção intrínseca

j o a n a p l a n t a e m a r a n h a r e m a r a n h a d o 


Se medissemos as ondas que o seu cérebro emite,
chegaríamos à conclusão que ela está em meditação transcendental.

A Joana é uma poeta.

E eu também,
até um certo ponto,
porque já faço emaranhados há alguns anos.

A questão é que,
agora, 
ao fazê-los,
e ao contrário da Joana,
penso demais 
- com a cabeça -
que é para comprar kiwis.







suzamna guimaraens

abril 2012