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sexta-feira, 28 de dezembro de 2012

SOU UMA MUTANTE





O meu organismo passou por transformações, sim: benignas. No dizer dos senhores doutores, sempre estive saudável, ou melhor, esta cápsula humana, que é a parte orgânica de mim. Consta, contudo, que sou diferente; diferente das outras mulheres em muitos aspetos. Os meus seios, por exemplo, são paradoxais: pequenos, todavia de uma extrema densidade glandular e abundantes terminais sinápticos. Sou, portanto, uma mutante muito sensível, salutífera e, penso até, que salutar, para não ir mais longe.

Permanecem, contudo, as insónias; tendo a supor, que os meus horários naturais não sejam propriamente os comuns, de uma rotina comum ou, sequer, com afinidade por qualquer rotina que seja; pelo menos, nos próximos sete anos.

Agora poderia participar num filme dos “X-Men”, mas prefiro enveredar pelas produções artesanais de Y-Woman...





domingo, 23 de dezembro de 2012

"QUESTÃO PORTUGUESA"




A questão portuguesa não é de se falar ou não falar português. É de ser ou não à maneira portuguesa, que é ser variadíssimas coisas ao mesmo tempo, e por vezes coisas que parecem contraditórias, e é a possibilidade de tomar um tema e [o] olhar de várias maneiras, conforme o temperamento da pessoa, a época em que viveram, a linguagem que usavam, a maneira como se sentiam na vida.

Agostinho da Silva


Leio esta frase entre pequenas explosões luminosas, que ocorrem por debaixo das pálpebras (não é metáfora). É libertadora e não estabelece hierarquias. Cada um sente-se compelido a descobrir qual é o seu papel neste Pôrtogral do Teatro Paradoxal. Penso, no entanto, que falar (bom) português é fundamental para a "questão portuguesa"; que passa também por falar outras línguas e linguagens. Mas não é o que vem ao caso: o que importa é que sejamos nós próprios e que saibamos o que somos cada vez mais, numa liberdade que não manipula e que inspira uma liberdade ainda maior.
A questão é, também, se a Alma Portuguesa acompanha a mutabilidade do mundo português.
Ou, parafraseando, haverá algo de profundo; todavia, a um nível superior, que é suposto eu fazer neste momento, aquém ou além fronteiras, sendo eu portuguesa? É uma questão em Português, à qual nenhum português ou estrangeiro conseguir-me-á responder em rigor: só eu com todos aqueles que não tiverem a veleidade de conhecer a verdade absoluta, podemos ir ensaiando a resposta e reformulando a questão...

suzamna guimaraens



quinta-feira, 29 de novembro de 2012

sábado, 13 de outubro de 2012

O EMARANHADO DE FITEIRA




made in Portugal by Joana Moreira Guimarães




A Joana é uma portuguesa de 7 anos.
A fiteira,
é uma planta endémica da Nova Zelândia.

Eu sou uma portuguesa de 39
e gosto muito de kiwis no ponto.

Também há fiteiras em Portugal.

Os textos de fiteira seca
da Joana
são espontâneos e 100% ecológicos.

Quando os cria,
ela pensa e age com o coração

; logo,
não plagia,
não vai a concurso,
não faz para ser paga,
não faz para ter



. Faz
"p o r q u e  S i m".

Ainda assim,
aqui estou eu
a espelhar-lhe o quanto os aprecio,
para que ela cresça
mais transparente
e eu com ela.

A Joana produz os emaranhados
na natureza,
não em casa
; facto que translada,
não só, 
mas também,
para a metáfora eco-social.


 ] Ela inspira as flores vivas
e ressuscita as plantas mortas [


O seu ser é as suas mãos e a fiteira

; não há qualquer (diz)tinção intrínseca

j o a n a p l a n t a e m a r a n h a r e m a r a n h a d o 


Se medissemos as ondas que o seu cérebro emite,
chegaríamos à conclusão que ela está em meditação transcendental.

A Joana é uma poeta.

E eu também,
até um certo ponto,
porque já faço emaranhados há alguns anos.

A questão é que,
agora, 
ao fazê-los,
e ao contrário da Joana,
penso demais 
- com a cabeça -
que é para comprar kiwis.







suzamna guimaraens

abril 2012

terça-feira, 21 de agosto de 2012

Uma "visita de médico"... Alado

Ontem, dia 20 de Agosto de 2012, pela segunda vez em dois anos, entrou um jovem pombo pela chaminé da sala da casa da minha mãe. Espaventado, esvoaçou três ou quatro vezes de uma ponta à outra da divisão, refugiando-se por cima dos armários mais altos e das sanefas. Desviou alguns bibelots de louça e deitou várias cabaças pintadas ao chão, de uma altura de cerca de dois metros, mas apenas duas delas se partiram.
Entre os gritos de pânico da Joana, a preocupação da minha mãe e o meu próprio sobressalto, apanhei-o, finalmente, do chão.
Senti-lhe, então, o coração pulsante, a vida quebradiça, tenra nas minhas palmas... Já todos em silêncio, aquietou-se em escassos segundos.
Tudo decorreu muito rapidamente, até ao momento em que, já a céu aberto, abri as mãos para que se libertasse.
E o tempo ali parou, pois era estranho o que sucedia que, de todo, obedecia ao imediato previsível: simplesmente, o pompinho não voava. Deixou-se permanecer, imóvel, entre os meus dedos em leque, numa estática que ponderei se feita de medo ou da ignorância do voar (que, em última análise, na essência, não diferem entre si).
Mas, estava enganada. Como se dentro de plasma se movesse, ergueu-se e, exaltando as asas, dirigiu-se num voo convicto na direção oposta à qual estava posicionado. Dir-se-ia que, de costas, tivera medido a distância entre as minhas mãos e o seu destino próximo: o telhado do vizinho Afonso, a duzentos metros, do outro lado da rua.
Por coincidência, um par de horas depois, ambas as filhas do dono da casa, vieram cumprimentar-nos e tivemos uma agradável conversa, como já não acontecia há anos. Não chegámos a falar do pombo negro e do seu presumível primeiro voo.
Talvez, de resto, não fosse tema para gente normal...  ;o)


Fotografia de Rosa Maria | 20 de Agosto de 2012 | Edição de Suzamna Guimaraens